Artigo da semana 🧠
Perder fezes na roupa íntima é uma das situações mais desconfortáveis para crianças e sua família. Incontinência fecal está relacionada a piores índices de qualidade de vida, ansiedade, fobias, depressão e dificuldades no aprendizado. É essencial estarmos atentos a esta queixa e saber o que fazer de forma assertiva e gentil.
No artigo desta semana é discutido os dois tipos de Incontinência Fecal Funcional:
Retentiva (relacionada à constipação intestinal) e Não-Retentiva. Há ainda a incontinência fecal orgânica (doenças neurológicas, malformação anorretal, pós cirúrgicas), que não é abordada neste paper.
👉🏼 A IF Retentiva ocorre por extravasamento de conteúdo fecal devido dilatação do reto e sigmoide quando a criança assume uma postura retentiva por medo de evacuar, por exemplo.
👉🏼 Por outro lado, o mecanismo da IF não retentiva não é totalmente explicado, mas essas crianças têm função anorretal preservada, com pressões e sensibilidade anorretais normais – o que se acredita é que elas simplesmente negligenciam a vontade de evacuar (estão se divertindo, e não têm interesse em parar suas brincadeiras para fazer cocô).
O tratamento envolve, antes de tudo, uma escuta empática e um exame físico cuidadoso – incluindo a região sacral.
O treinamento de toilete, com a criança sentada em posição adequada, após as refeições, por 5-10 minutos é pedra angular no tratamento.
📌 Os laxantes osmóticos (especialmente polietilenoglicol) são grandes aliados, e são utilizados em fase de desimpactação (dose alta) e fase de manutenção (dose moderada – baixa). Na incontinência fecal não retentiva não devem ser utilizados.
Terapias de segunda linha como fisioterapia do assoalho pélvico, biofeedback, intervenção psicológica e irrigação transanal podem ser consideradas, mas ainda não há estudos robustos em crianças.
Casos refratários e complexos podem exigir injeção de toxina botulínica intraesfincteriana, neuromodulação (tratamento promissor, mas ainda incipiente em crianças) ou mesmo manejo cirúrgico (apendicecostomia – cirurgia de Malone, ressecção colônica).
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