Artigo da semana 🧠
👉🏼 Inibidores de bomba de prótons são prescritos frequentemente para bebês que choro em excesso, porém a relação de choro/irritabilidade com o refluxo gastroesofágico é muito controversa, especialmente pela evidência de que, no lactente, o refluxato é predominantemente NÃO ÁCIDO.
No artigo desta semana, a Dra. Silvia Salvatore et al traz um estudo prospectivo com crianças menores de 2 anos em que foi avaliada a relação entre score de distress/irritabilidade (através da escala FLACC) e as características de refluxo gastroesofágico avaliadas por pH-impedanciometria.
👉🏼 A Escala FLACC é validada para avaliação de distress e desconforto na criança, e utiliza os seguintes parâmetros: expressão facial (Face), posição das pernas (Leg), nível de atividade (Activity), tipo de choro (Crying), consolável ou não (Consolability).
📌 Os resultados deste estudo são muito interessantes: a escala FLACC de distress foi MAIS BAIXA nos episódios de refluxo ácido do que nos não-ácidos, e infere-se que o refluxo não-ácido seja, no mínimo, tão doloroso quanto o ácido (se não mais).
Os IBPs, uma vez que reduzem a acidez do conteúdo gástrico, não teriam papel relevante no manejo do choro do lactente, e têm potenciais efeitos colaterais (sobrecrescimento bacteriano, aumento do risco de doenças alérgicas e deficiência de micronutrientes).
📌 Os autores são enfáticos ao afirmar: IBP não reduz choro/distress, refluxo gastroesofágico não ácido também pode contribuir para irritabilidade, e a distensão esofágica tem seu papel na geração dos sintomas.
O mais importante de tudo é entender que o choro da criança é uma manifestação multifatorial. Da mesma forma, fatores biológicos, psicológicos, sociais, culturais e espirituais dos pais e cuidadores influenciam diretamente na percepção subjetiva de que a criança esteja com dor – o que nem sempre é verdade quando a criança chora.
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