Artigo da semana 🧠
Nesta semana trazemos um excelente estudo (VEDOKIDS) de coorte prospectiva , multicêntrico (com 6 países), que avaliou segurança e eficácia de vedolizumabe em crianças. Foi publicado no The Lancet em janeiro de 2023.
📍 Vedolizumabe é um anticorpo monoclonal anti-integrina, já bem estudado e estabelecido para o tratamento de Doença Inflamatória Intestinal (DII) em adultos. Na população pediátrica, por outro lado, os dados são limitados e os estudos, em geral, são séries de casos retrospectivos.
👩🏻⚕ A prescrição de vedolizumabe para crianças tem sido feita off-label, inclusive, em alguns casos, como primeira escolha de tratamento em paciente näive de imunobiológicos – entretanto faltam evidências de segurança, efetividade e dose adequada na população pediátrica.
O estudo VEDOKIDS buscou responder essas dúvidas clínicas. Foram incluídos crianças e adolescentes de 0 a 18 anos com Doença de Crohn ou Colite Ulcerativa ou Doença Inflamatória Intestinal não classificada em uso de vedolizumabe, e avaliadas características clínicas e laboratoriais no período de indução (0, 6 e 14 semanas de início da medicação), sendo o principal desfecho a remissão clínica livre de corticoides e nutrição enteral exclusiva na 14a semana de tratamento.
📈 Os autores mostraram boa segurança e eficácia do vedolizumabe para remissão clínica de pacientes pediátricos com DII, com melhor resultado para aqueles com Colite Ulcerativa. Importante destacar que na semana 6 de tratamento os resultados de remissão clínica no VEDOKIDS foram ainda melhores que aqueles dos estudos GEMINI (que avaliaram vedolizumabe em adultos) – embora a interpretação destes dados necessite cautela, por serem populações e desenhos de estudo diferentes.
- Os autores também fizeram análise do subgrupo de pacientes com menos de 30kg, e a partir dos resultados, sugerem que a dose para atingir remissão nesses pacientes deva ser proporcionalmente maior e calculada pela superfície corporal ( 200mg/m2). Importante destacar que a resposta clínica inicial na 6a semana de tratamento foi o preditor MAIS EFETIVO de remissão clínica na semana 14. 📌 Ou seja: se na semana 6 após início do Vedolizumabe não houver resposta clínica, é necessário repensar o tratamento, pois o paciente provavelmente não atingirá remissão.
Estudo atualíssimo, e cuja coorte ainda tem planejamento de durar 3 anos. Certamente nos trará mais informações sobre o manejo a médio e longo prazo destes pacientes. Vale a pena a leitura!
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