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Drogas em Foco: Domperidona
Publicado no JPGN 2023 Aug 1;77(2):e13-e22. A finalidade deste artigo de revisão é enumerar as evidências sobre o uso da domperidona no tratamento de distúrbios gastrointestinais em crianças.
• Atualmente, a única indicação autorizada é para alívio de náuseas e vômitos em crianças acima de 12 anos, por no máximo 1 semana, na forma oral.
• Seu uso como pró-cinético é off-label.
• Domperidona é um bloqueador seletivo do receptor de dopamina-2 com propriedades antieméticas e pró-cinéticas.
• Seus efeitos pró-cinéticos ocorrem no trato gastrointestinal superior, aumentando a peristalse esofágica, a pressão do esfíncter esofágico inferior, o esvaziamento gástrico e as contrações antroduodenais.
• Eletrocardiogramas no início do estudo e pelo menos uma vez durante o tratamento prolongado parecem razoáveis para detectar qualquer QTc assintomático.
• A literatura atual não suporta o uso da domperidona como antiemético na gastroenterite aguda (metanálises, estudos randomizados mostram benefício superior da andansetrona).
• No entanto, entre os pediatras, a domperidona também é usada fora de sua indicação autorizada (off-label) para o tratamento de sintomas associados à doença do refluxo gastroesofágico, dispepsia e gastroparesia.
• Pouco se sabe sobre sua eficácia no tratamento de distúrbios de motilidade gastrointestinal em crianças e dados controversos surgiram na literatura pediátrica.
• Há poucos dados sobre o uso de domperidona em crianças com gastroparesia e dispepsia.
• Domperidona é contraindicada em pacientes com comprometimento hepático moderado ou grave.
• Domperidona tem alta afinidade pelo tecido gastrointestinal, com alta concentração do fármaco encontrado no esôfago, estômago e intestino delgado.
• O uso off-label ainda é uma opção terapêutica em pacientes com sintomas de dismotilidade gastrointestinal superior que não respondem a outros medicamentos.
• A eficácia e o perfil de efeitos colaterais da domperidona no tratamento de distúrbios de motilidade gastrointestinal em crianças ainda não foram totalmente estudados e resumidos na literatura atual.
• Efeito colateral mais comum: diarreia e cólicas abdominais. Efeito colateral mais grave: cardiotoxicidade.
• Risco maior de cardiotoxicidade: doses elevadas, tempo de tratamento prolongado, prolongamento do espaço QT, distúrbios eletrolíticos.
📌 A domperidona é contraindicada nas seguintes situações:
1️⃣ Insuficiência hepática moderada ou grave;
2️⃣ Conhecido prolongamento existente da condução cardíaca intervalos, particularmente o intervalo QTc;
3️⃣ Doenças cardíacas subjacentes;
4️⃣ Distúrbios eletrolíticos significativos;
5️⃣ Coadministração com medicamentos que prolongam o intervalo QTc;
6️⃣ Coadministração com inibidores potentes do CYP3A4 independentemente do seu intervalo QT prolongando os efeitos;
7️⃣ Quando a estimulação da motilidade gástrica pode ser prejudicial como em pacientes com hemorragia gastrointestinal ou obstrução mecânica ou perfuração intestinal;
8️⃣ Pacientes com tumor hipofisário liberador de prolactina;
9️⃣ Hipersensibilidade conhecida à domperidona.
👩🏻⚕Nossa opinião
Pouco benefício efetivo, risco de efeitos colaterais diretamente relacionados com dose e tempo de uso, sem respaldo em bula. Pode ser uma opção de segunda linha para pacientes pediátricos acima de 12 anos com náusea e dispepsia.
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